segunda-feira, 13 de abril de 2020

Era Napoleônica



Era Napoleônica
O início da Era Napoleônica é um desdobramento de diversos conflitos entre a burguesia e as camadas populares durante da Revolução Francesa. Durante a terceira fase desta, também conhecida como Diretório, foi-se instalado um governo burguês e uma nova constituição. Nessa fase, o poder executivo era composto por cinco diretores. O golpe do 18 Brumário, articulado pelos diretores temerosos da crescente popularidade do militar, levou ao poder Napoleão Bonaparte com o apoio da baixa burguesia e do exército, dando início da Era Napoleônica, que futuramente seria dividida em três fases: o consuladoo império e o governo de cem dias.
O Consulado (1799-1804)
A principal característica deste período é a de se assemelhar a uma república. Napoleão garantiu a estabilidade econômica da França, além de consolidar o capitalismo a fim de combater com a Inglaterra. Criou o Banco da França, responsável por ceder créditos para o incentivo da indústria no país além de controlar a inflação. Também foi responsável pelo Senado e pelo Tribunal, o setor legislativo do Estado.
Sagaz como era, Napoleão não deixou de lado o apoio da Igreja, assinando concordatas com o papa. Assim, o Estado poderia confiscar as terras da Igreja desde que desse suporte e amparo a esta. Além disso, criou o Código Civil Napoleônico, onde assegurava a igualdade perante a lei, o direito a propriedade privada, a proibição de greves e o reestabelecimento da escravidão.
Seu governo foi marcado pela paz externa e graças a isso, através de um plebiscito, Napoleão Bonaparte foi declarado único Cônsul Vitalício Hereditário, o que desencadeou, pouco tempo depois também por plebiscito, a sua proclamação como Imperador.
O Império (1804-1814)
Com o apoio do povo, através de um plebiscito, a França entrava em um regime monárquico do qual Napoleão seria o Imperador. A corte era constituída pela alta burguesia, membros da elite do exército e pela antiga nobreza.
As principais características desse período foram as constantes guerras externas, o que fez com que a França chegasse a sua maior extensão territorial até então e tivesse o exército mais poderoso de toda a Europa. A Inglaterra, inimigo histórico da França, sempre foi o seu principal alvo e durante esse período não seria diferente. A fim de diminuir o poder econômico do país inglês, Napoleão declarou o Bloqueio Continental (1806), isto é, aqueles países que fossem aliados da França não mais poderiam fazer trocas comerciais com a Inglaterra, caso fizessem teriam seus países invadidos. Assim, a Inglaterra não mais faria exportações, causando uma crise industrial/comercial naquele país.
Paulatinamente, os países aliados da França, como a Rússia, foram tendo suas economias quebradas devido ao fato de que a França não podia suprir as necessidades mercantis da mesma forma que a Inglaterra fazia. Em 1812, o Czar Alexandre I da Rússia rompe a aliança que tinha com o país francês e volta a comercializar com a Inglaterra, o que força Napoleão a investir seus esforços em uma campanha contra a Rússia. Mais astuto do que Bonaparte poderia prever, o czar Alexandre I utiliza a técnica da Terra Arrasada, ou seja, a própria população russa destrói qualquer plantação ou abrigo que pudesse servir ao inimigo francês, o que leva à derrota o exército da França por fome e frio no território russo.
Ao retornar a França em 1813, Napoleão Bonaparte tem seu exílio decretado na Ilha de Elba pela Espanha, Rússia, Prússia, Inglaterra e Áustria, após a vitória destes na batalha de Leipzig.
O Governo dos Cem Dias
Cerca de um ano depois de sua ida a Ilha de Elba, Napoleão consegue fugir e retorna à França. Sob os festejos de ex-soldados, governa o último dos períodos napoleônicos: o governo de cem dias.
Após nova derrota na Batalha de Waterloo, em 1815, os ingleses decretam seu novo exílio na Ilha de Santa Helena, na África, onde permanece até sua morte, em 1821.


segunda-feira, 6 de abril de 2020

A Pré-história no Brasil


Primeiros Humanos no Brasil

Pinturas rupestres na Serra da Capivara, no Piauí

A presença humana no território hoje ocupado pelo Brasil data de 12 mil anos, conforme evidências arqueológicas.
Ao menos duas diferentes rotas migratórias contribuíram para o deslocamento na América pré-colombiana (antes da chegada de Cristóvão Colombo, em 1492).
Os primeiros humanos surgiram na África há 3,2 milhões de anos. Assim, é correto afirmar que os seres humanos vieram daquele continente através de ondas migratórias.
A corrente mais aceita é a migração através da passagem do Estreito de Bering em diferentes períodos. Desta maneira, os seres humanos chegaram ao Alasca e, de lá, partiram ao restante do continente.
Outra rota de deslocamento seria a do Pacífico. Como a altura do mar era mais baixa e havia mais ilhas ao longo do oceano, os seres humanos puderam vir navegando à Patagônia e à região que hoje corresponde ao Brasil.

Características dos Primeiros Habitantes do Brasil

Os habitantes da pré-história brasileira são divididos em três grupos: caçadores-coletores, povos agricultores e povos do litoral.
Caçadores-coletores

Viviam em quase todo o território nacional entre 50 mil e 2,5 mil anos. Ocupavam do Sul ao Nordeste, habitavam cavernas e a floresta, usavam arcos e flechas, boleadeiras e bumerangues feitos de pedra.
Alimentavam-se de carne de caça de pequenos animais, peixes, moluscos e frutos. No Nordeste é possível encontrar exemplos da arte rupestre destas pessoas que retratavam o cotidiano, a guerra, a dança e a caça.
No Sul, destaca-se os "homens de Umbu" que viveram nos pampas gaúchos. Estes foram os responsáveis pelo uso de arco e flecha que foi herdado pelos indígenas brasileiros.


Povos do Litoral ou Sambaquis

Recriação dos povos sambaquis em seu habitat

Os povos do litoral ocupavam a costa brasileira desde o Espírito Santo até o Rio Grande do Sul há 6 mil anos. Alimentavam-se, basicamente, de frutos do mar, mas também eram coletores.
Os "homens dos sambaquis" eram sedentários, pois não tinham necessidade de deslocar-se para buscar alimentos.
As conchas descartadas com as quais obtinham os moluscos foram se amontoando e assim, foram aproveitados para construção de casas. Estes são os principais vestígios para estudar este povo.
Também foram localizadas sepulturas nas quais os corpos eram enterrados com vários objetos e pintados de vermelhos. Isto significa que os "homens sambaquis" realizavam ritos funerários e acreditavam numa outra vida.
Povos Agricultores

Viveram de 3,5 mil a 1,5 mil anos atrás. Habitavam cabanas ou casas subterrâneas e eram conhecedores da técnica da cerâmica.
No Rio Grande do Sul foram chamados de Itararés e no Sudeste e Nordeste de Tupis. Esses povos deram origem às tribos indígenas do Brasil.
Os tupis conheciam a agricultura e por isso, eram sedentários. A cerâmica eram usada para armazenar alimentos e como urnas funerárias quando alguém falecia.

Sítios Arqueológicos Brasileiros

Pinturas rupestres no Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco

Os sítios arqueológicos são locais onde foram detectados a presença de seres humanos na pré-história.
No Boqueirão da Pedra Furada (PE), um grupo de arqueólogos notificou a presença de facas, machados e fogueiras com aproximadamente 48 mil anos.
Na região da Lagoa Santa, em Minas Gerais, foi encontrado o fóssil Luzia, de 12500 a 13000 anos. Ali, também foi achado o Homem de Lagoa Santa, que teria vivido há 12 mil anos.
Outros importantes sítios arqueológicos no Brasil são Santana do Riacho (MG), Caatinga de Moura (BA) e o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI).




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sexta-feira, 3 de abril de 2020

A Primeira República Brasileira


A Primeira República no Brasil foi uma onda que ocorreu após o Império vigente no país, dando fim à Monarquia. O período teve início no dia 15 de novembro de 1889. A Primeira República acabou tendo fim com a Revolução de 30, quando passou a se chamar Era Vargas.
Com a queda da Monarquia, os militares assumiram o poder no Brasil. O primeiro presidente do período foi Marechal Deodoro da Fonseca, assumindo em 1889. A Primeira República foi um marco que evidenciou os problemas sociais vivenciados no Brasil à época.
Enquanto a população lutava por melhores condições de vida, a elite rural tentava ampliar seus privilégios. Já os militares procuravam marcar seu protagonismo político na época, sendo os principais candidatos a governar o país.

Imagem: Guerra de Canudos e Revolta da Vacina foram dois movimentos sociais significativos durante a Primeira República.

As divisões da Primeira República na linha do tempo na história

A Primeira República também foi denominada de República Velha. Este período é dividido entre dois diferentes momentos na história. Eles são:
República da Espada: Durando entre 1889 a 1894, ela abrangeu os governos de Marechal Deodoro e Floriano Peixoto.
República Oligárquica: Entre 1895 e 1930 alternando governos da oligarquia SP, MG e RS. Conhecido como período coronelista, o governo era praticado, em suma, por cafeicultores.

O que foi a República da Espada?

Iniciada com o governo de Marechal Deodoro da Fonseca, a República da Espada foi um período curto, mas fundamental. Medidas emergenciais marcaram esse governo militar provisório. Entre as principais medidas estão a laicização do estado, a naturalização de estrangeiros e a criação de símbolos nacionais-republicanos.
A polêmica, no entanto, marcou o governo de Deodoro. Apesar da instauração de medidas populistas, ele acaba impulsionando uma imensa crise econômica. A bolha estourou. A impressão de papel moeda disparou. A este momento é dado o nome de Política do Encilhamento.
Depois de uma pressão da Marinha (Revolta da Armada – 1891) para a renúncia de Marechal Deodoro, em novembro ele resigna. Assume, então, Marechal Floriano Peixoto, seu vice, com o intuito de contenção da crise financeira instaurada. Entretanto, segundo a constituição em vigor, o governo de Floriano era considerado ilegítimo.
O vice só poderia permanecer no governo até a convocação de eleições de voto popular. Isso, porém, não impediu o Marechal de Ferro permanecer no governo até o fim de seu mandato. Ao fim do governo Floriano, o período da República da Espada tem seu término declarado. Em seguida, é iniciada a chamada República Oligárquica.

O que foi a República Oligárquica?

O período é marcado pela eleição do primeiro presidente civil do país, o paulista Prudente de Morais. Dá-se início, então, a chamada República do Café com Leite. Este batismo refere-se a uma nominação com a divisão de duas oligarquias que alternavam o poder: SP e MG.
A principal característica do período foi a sucessão de governo previamente programada. Comandada pelas elites agrárias de paulistas e mineiros, graças a um esquema de fraude, ambos alternavam quase sempre o poder.  O coronelismo marcou esse período importante na história brasileira.
Foi por causa desta característica coronelista que explodiu um movimento social rural importante: a Guerra dos Canudos. Além disso, uma revolta urbana também marcou o período, conhecida como a Revolta da Vacina. Ademais, outras revoltas rurais e urbanas evidenciaram o período, como a Guerra do Contestado e Greve Geral de 1917, respectivamente.
A indignação militar também era sobressalente e presente. A Revolta da Chibata e o Movimento Tenentista marcaram como exemplos da insatisfação dos militares com o governo em vigência.

O fim da Primeira República e o Golpe/Revolução de 1930

A ascensão de Getúlio Vargas por meio do apoio de industriais, burgueses e do movimento tenentista põe fim a Oligarquia. Retirando Washington Luís do poder, o gaúcho de São Borja assume como presidente, apesar da derrota nas eleições.
Impedindo a posse de Julio Prestes, o Brasil coloca fim a um período marcado por crises constantes. Desde a economia afetada até uma segurança instável, a Primeira República se definha. Assim, a República Velha tem seu fim decretado em 1930, com o prólogo da chamada Era Vargas.


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Colonização Inglesa da América - Resumo


A Colonização Inglesa na América


A ocupação da América do Norte pelos ingleses distinguiu-se da colonização ibero-americana em vários aspectos. Na América do Norte, o processo de colonização ocorreu mais tarde a partir, principalmente, do século XVI – e teve um caráter em grande parte espontâneo. Além disso, as próprias características físicas do litoral norte-americano eram diferentes, por se tratar de uma região não tropical e sem metais preciosos. Na Inglaterra, a rainha Elizabeth I, que governou de 1558 a 1603, estimulou a construção naval e o comércio marítimo, no contexto da política mercantilista. O governo também apoiava outro tipo de presença inglesa no mar: no litoral do Caribe, os corsários ingleses saqueavam os galeões espanhóis repletos de metais preciosos que rumavam para a Europa. Quando a Inglaterra se lançou à conquista colonial, no início do século XVII, o território da América tropical já estava sendo explorado por portugueses e, principalmente, espanhóis. Na América do Norte, era necessário disputar espaço com franceses e espanhóis. Quando os ingleses chegaram, as regiões que hoje correspondem ao Arizona, à Flórida e ao Novo México já eram territórios espanhóis. A criação de companhias de comércio na Inglaterra, nas quais o Estado apoiava a burguesia nacional, fortaleceu o grupo que tomaria a frente no estabelecimento de colônias no Novo Mundo. Além disso, fatores políticos como a derrota da nobreza feudal por Henrique VII e Henrique VIII – e culturais – o desenvolvimento de uma pequena burguesia com forte iniciativa econômica associada ao individualismo espiritual da teologia protestante também foram importantes para a colonização da América inglesa. Como a Inglaterra oferecia poucos recursos para promover a colonização, diferentemente do que ocorreu nas demais regiões da América, esta decorreu fundamentalmente do empenho dessa pequena burguesia. Assim, as colônias inglesas começaram pobres e sem gerar importantes recursos para a metrópole inglesa. As primeiras tentativas colonizadoras ocorreram entre 1584 e 1587, quando foram enviadas três expedições inglesas à América do Norte, sob o comando de sir Walter Raleigh, que resultaram, porém, em grande fracasso, por causa da violenta reação dos povos nativos. Somente em 1607 a fundação da colônia de Virgínia, explorada por uma companhia de comércio que reunia empresários acionistas e detinha o monopólio comercial e da colonização, iniciou uma era de viabilidade econômica para a ocupação e exploração da região.


Um dos estímulos ao fluxo populacional da Inglaterra para a América do Norte, colaborando para seu povoamento, foi o processo de cercamento das propriedades agrícolas inglesas, o que gerou grande excedente demográfico. Expulsas do campo e não encontrando espaço na economia urbana, as vítimas dos cercamentos acabaram rumando para a América. Ao mesmo tempo, os crescentes conflitos políticos e religiosos dentro do Estado inglês estimularam a emigração de protestantes, como os puritanos e os quakers, grupo dissidente dos calvinistas ingleses fundado no século XVII. Ao enfatizar a soberania de deus e a dependência do homem, o puritanismo (apenas com um pouco mais de energia do que o protestantismo em geral) chocava-se de frente com o espírito moderno de otimismo e individualismo confiante. ainda as sim, ao mesmo tempo, o puritanismo imprimia um poderoso ímpeto psicológico ao esforço individual. os puritanos eram “atletas morais”, convencidos de que a vida correta era a melhor prova (embora não garantia) de que o indivíduo desfrutava a graça de deus. A vida correta incluía trabalhar tão arduamente e ser tão bem-sucedido quanto possível em qualquer ofício mundano e negócio em que deus houvesse colocado a pessoa. animados por essas convicções, não era de admirar que os puritanos fossem altamente vitoriosos em suas atividades temporais, em especial nas circunstâncias favoráveis oferecidas pelo ambiente do novo mundo.



Na região da Virgínia, os primeiros núcleos de produção inicialmente se dedicaram à obtenção do tabaco, produto largamente consumido na Europa. Mais tarde, também foram produzidos corante índigo (anil), arroz e algodão. Além da Virgínia, outras colônias se transformaram em grandes centros de produção agrícola, como Geórgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul, Maryland e Delaware. Essas colônias situadas ao sul do território inglês da América do Norte têm sido consideradas genericamente colônias de exploração, assemelhando-se às colônias portuguesas, no sentido de terem se fundado economicamente no regime de plantation latifúndio monocultor, baseado em trabalho escravo e cuja produção estava voltada para o mercado externo). A colonização dos territórios mais ao norte (atuais estados de Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Connecticut, Massachusetts, Rhode Island e New Hampshire) teve, entretanto, características bastante diferentes. Nessa região, concentrava-se boa parte dos colonos que sofriam perseguição religiosa na Inglaterra. O primeiro grupo desembarcou do navio Mayflower em 1620 e fundou a cidade de Plymouth, em Massachusetts núcleo inicial da Nova Inglaterra, assim chamada porque pretendia reproduzir as condições de vida da pátria dos colonos. Mais tarde, a Nova Inglaterra participou do comércio triangular entre a América, a Europa e a África: ali os comerciantes fabricavam rum, a partir do melaço obtido nas Antilhas, para trocar por escravos na África e vendê-los nas colônias de exploração do sul e nas colônias do Caribe.


Nas décadas seguintes, novas colônias próximas a essas foram fundadas, caracterizadas pela pequena e média propriedade e pela produção para subsistência da comunidade de colonos e para o mercado interno, distinguindo-se daquelas mais ao sul. No início, havia grande pobreza nas colônias do norte, pois a população mal conseguia produzir o suficiente para se manter. Porém, no longo prazo, a chegada constante de novos imigrantes e o predomínio do trabalho livre acabaram por criar um mercado consumidor local, impulsionando a produção de diversos produtos. É importante observar que não se pode fazer uma classificação rígida entre colônias de povoamento e colônias de exploração. Assim como na América ibérica, houve nas diversas colônias da América inglesa iniciativas de formação de núcleos de povoamento, nos quais a produção estava voltada para o consumo interno, e também atividades em que se utilizava mão de obra escrava e cuja produção estava voltada para o mercado externo. A grande diferença entre ingleses e ibéricos em seus domínios americanos consistiu na forma como as Coroas metropolitanas se impuseram no processo de colonização. Diferentemente dos espanhóis e portugueses, a Coroa britânica não exerceu uma fiscalização colonial intensiva no século XVII, em boa medida por causa de conturbações políticas internas. Sem um forte controle tributário, os colonos da América inglesa puderam dedicar-se a várias atividades produtivas e desfrutar de liberdade econômica e religiosa. Mantendo poucos laços políticos e econômicos com a Inglaterra, as colônias do norte desenvolveram uma produção manufatureira e um comércio cada vez mais intenso e diversificado. A construção naval progrediu, tornando possível maior articulação entre as colônias, obtenção de itens externos e até comércio de longa distância, que envolvia o Caribe, a África e a Europa (veja o mapa abaixo). O controle intenso sobre a colônia, tão característico do colonialismo ibérico, não esteve presente na colonização inglesa da América do Norte. Desde sua fundação, jamais houve um efetivo projeto normativo inglês de colonização. Ao mesmo tempo, os intensos conflitos políticos internos na Inglaterra do século XVII, como a Revolução Puritana de 1641, a posterior guerra civil e a Revolução Gloriosa de 1688, contribuíram para afrouxar os laços de dominação. Na verdade, já existia certa autonomia econômica e política, pelo menos entre as colônias da Nova Inglaterra. Mais tarde, no século XVIII, a monarquia liberal inglesa assegurou estabilidade política ao país e a Inglaterra emergiu como potência mundial. Nesse momento, buscou-se uma redefinição do papel das colônias, sujeitando-as a uma política fiscal inglesa e impondo o fim de suas liberdades comerciais e políticas. Os conflitos daí gerados culminariam no processo de independência das Treze Colônias inglesas na América do Norte.