quarta-feira, 8 de abril de 2020
segunda-feira, 6 de abril de 2020
A Pré-história no Brasil
Primeiros Humanos
no Brasil
Pinturas
rupestres na Serra da Capivara, no Piauí
A presença humana no território hoje ocupado pelo Brasil data de 12 mil
anos, conforme evidências arqueológicas.
Ao menos duas diferentes rotas migratórias contribuíram para o
deslocamento na América pré-colombiana (antes da chegada de Cristóvão Colombo,
em 1492).
Os primeiros humanos surgiram na África há 3,2 milhões de anos. Assim, é
correto afirmar que os seres humanos vieram daquele continente através de ondas
migratórias.
A corrente mais aceita é a migração através da passagem do Estreito de
Bering em diferentes períodos. Desta maneira, os seres humanos chegaram ao
Alasca e, de lá, partiram ao restante do continente.
Outra rota de deslocamento seria a do Pacífico. Como a altura do mar era
mais baixa e havia mais ilhas ao longo do oceano, os seres humanos puderam vir
navegando à Patagônia e à região que hoje corresponde ao Brasil.
Características dos
Primeiros Habitantes do Brasil
Os habitantes da pré-história brasileira são divididos em três grupos:
caçadores-coletores, povos agricultores e povos do litoral.
Caçadores-coletores
Viviam em quase todo o território nacional entre 50 mil e 2,5 mil anos.
Ocupavam do Sul ao Nordeste, habitavam cavernas e a floresta, usavam arcos e
flechas, boleadeiras e bumerangues feitos de pedra.
Alimentavam-se de carne de caça de pequenos animais, peixes, moluscos e
frutos. No Nordeste é possível encontrar exemplos da arte rupestre destas
pessoas que retratavam o cotidiano, a guerra, a dança e a caça.
No Sul, destaca-se os "homens de Umbu" que viveram nos pampas
gaúchos. Estes foram os responsáveis pelo uso de arco e flecha que foi herdado
pelos indígenas brasileiros.
Povos do Litoral ou
Sambaquis
Recriação
dos povos sambaquis em seu habitat
Os povos do litoral ocupavam a costa brasileira desde o Espírito Santo
até o Rio Grande do Sul há 6 mil anos. Alimentavam-se, basicamente, de frutos
do mar, mas também eram coletores.
Os "homens dos sambaquis" eram sedentários, pois não tinham
necessidade de deslocar-se para buscar alimentos.
As conchas descartadas com as quais obtinham os moluscos foram se
amontoando e assim, foram aproveitados para construção de casas. Estes são os
principais vestígios para estudar este povo.
Também foram localizadas sepulturas nas quais os corpos eram enterrados
com vários objetos e pintados de vermelhos. Isto significa que os "homens
sambaquis" realizavam ritos funerários e acreditavam numa outra vida.
Povos Agricultores
Viveram de 3,5 mil a 1,5 mil anos atrás. Habitavam cabanas ou casas
subterrâneas e eram conhecedores da técnica da cerâmica.
No Rio Grande do Sul foram chamados de Itararés e no Sudeste e Nordeste
de Tupis. Esses povos deram origem às tribos indígenas do Brasil.
Os tupis conheciam a agricultura e por isso, eram sedentários. A
cerâmica eram usada para armazenar alimentos e como urnas funerárias quando
alguém falecia.
Sítios
Arqueológicos Brasileiros
Pinturas
rupestres no Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco
Os sítios arqueológicos são locais onde foram detectados a presença de
seres humanos na pré-história.
No Boqueirão da Pedra Furada (PE), um grupo de arqueólogos notificou a
presença de facas, machados e fogueiras com aproximadamente 48 mil anos.
Na região da Lagoa Santa, em Minas Gerais, foi encontrado o fóssil
Luzia, de 12500 a 13000 anos. Ali, também foi achado o Homem de Lagoa Santa,
que teria vivido há 12 mil anos.
Outros importantes sítios arqueológicos no Brasil são Santana do Riacho
(MG), Caatinga de Moura (BA) e o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI).
sexta-feira, 3 de abril de 2020
A Primeira República Brasileira
A Primeira República no Brasil foi uma onda que
ocorreu após o Império vigente no país, dando fim à Monarquia. O período teve
início no dia 15 de novembro de 1889. A Primeira República acabou tendo fim com
a Revolução de 30, quando passou a se chamar Era Vargas.
Com a queda da Monarquia, os militares assumiram o
poder no Brasil. O primeiro presidente do período foi Marechal Deodoro da
Fonseca, assumindo em 1889. A Primeira República foi um marco que evidenciou os
problemas sociais vivenciados no Brasil à época.
Enquanto a população lutava por melhores condições de
vida, a elite rural tentava ampliar seus privilégios. Já os militares
procuravam marcar seu protagonismo político na época, sendo os principais
candidatos a governar o país.
Imagem: Guerra de Canudos e Revolta da
Vacina foram dois movimentos sociais significativos durante a Primeira
República.
As divisões da Primeira República na linha do tempo na história
A Primeira República também foi denominada de
República Velha. Este período é dividido entre dois diferentes momentos na
história. Eles são:
República da Espada: Durando entre 1889 a 1894, ela
abrangeu os governos de Marechal Deodoro e Floriano Peixoto.
República
Oligárquica: Entre 1895 e 1930 alternando governos da oligarquia SP, MG e RS.
Conhecido como período coronelista, o governo era praticado, em suma, por
cafeicultores.
O que foi a República da Espada?
Iniciada com o governo de Marechal Deodoro da
Fonseca, a República da Espada foi um período curto, mas fundamental. Medidas
emergenciais marcaram esse governo militar provisório. Entre as principais
medidas estão a laicização do estado, a naturalização de estrangeiros e a
criação de símbolos nacionais-republicanos.
A polêmica, no entanto, marcou o governo de Deodoro.
Apesar da instauração de medidas populistas, ele acaba impulsionando uma imensa
crise econômica. A bolha estourou. A impressão de papel moeda disparou. A este
momento é dado o nome de Política do Encilhamento.
Depois de uma pressão da Marinha (Revolta da Armada –
1891) para a renúncia de Marechal Deodoro, em novembro ele resigna. Assume,
então, Marechal Floriano Peixoto, seu vice, com o intuito de contenção da crise
financeira instaurada. Entretanto, segundo a constituição em vigor, o governo
de Floriano era considerado ilegítimo.
O vice só
poderia permanecer no governo até a convocação de eleições de voto popular.
Isso, porém, não impediu o Marechal de Ferro permanecer no governo até o fim de
seu mandato. Ao fim do governo Floriano, o período da República da Espada tem
seu término declarado. Em seguida, é iniciada a chamada República Oligárquica.
O que foi a República Oligárquica?
O período é marcado pela eleição do primeiro
presidente civil do país, o paulista Prudente de Morais. Dá-se início, então, a
chamada República do Café com Leite. Este batismo refere-se a uma nominação com
a divisão de duas oligarquias que alternavam o poder: SP e MG.
A principal característica do período foi a sucessão
de governo previamente programada. Comandada pelas elites agrárias de paulistas
e mineiros, graças a um esquema de fraude, ambos alternavam quase sempre o
poder. O coronelismo marcou esse período
importante na história brasileira.
Foi por causa desta característica coronelista que
explodiu um movimento social rural importante: a Guerra dos Canudos. Além
disso, uma revolta urbana também marcou o período, conhecida como a Revolta da
Vacina. Ademais, outras revoltas rurais e urbanas evidenciaram o período, como
a Guerra do Contestado e Greve Geral de 1917, respectivamente.
A indignação
militar também era sobressalente e presente. A Revolta da Chibata e o Movimento
Tenentista marcaram como exemplos da insatisfação dos militares com o governo
em vigência.
O fim da Primeira República e o
Golpe/Revolução de 1930
A ascensão de Getúlio Vargas por meio do apoio de
industriais, burgueses e do movimento tenentista põe fim a Oligarquia.
Retirando Washington Luís do poder, o gaúcho de São Borja assume como
presidente, apesar da derrota nas eleições.
Impedindo a posse de Julio Prestes, o Brasil coloca
fim a um período marcado por crises constantes. Desde a economia afetada até
uma segurança instável, a Primeira República se definha. Assim, a República
Velha tem seu fim decretado em 1930, com o prólogo da chamada Era Vargas.
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A Colonização Inglesa na América
A ocupação da América do Norte pelos ingleses distinguiu-se da
colonização ibero-americana em vários aspectos. Na América do Norte, o processo
de colonização ocorreu mais tarde a partir, principalmente, do século XVI – e
teve um caráter em grande parte espontâneo. Além disso, as próprias
características físicas do litoral norte-americano eram diferentes, por se
tratar de uma região não tropical e sem metais preciosos. Na
Inglaterra, a rainha Elizabeth I, que governou de 1558 a 1603, estimulou a
construção naval e o comércio marítimo, no contexto da política mercantilista. O
governo também apoiava outro tipo de presença inglesa no mar: no litoral do
Caribe, os corsários ingleses saqueavam os galeões espanhóis repletos de metais
preciosos que rumavam para a Europa. Quando a Inglaterra se lançou à conquista
colonial, no início do século XVII, o território da América tropical já estava
sendo explorado por portugueses e, principalmente, espanhóis. Na América do
Norte, era necessário disputar espaço com franceses e espanhóis. Quando os
ingleses chegaram, as regiões que hoje correspondem ao Arizona, à Flórida e ao
Novo México já eram territórios espanhóis. A criação de companhias de comércio
na Inglaterra, nas quais o Estado apoiava a burguesia nacional, fortaleceu o
grupo que tomaria a frente no estabelecimento de colônias no Novo Mundo. Além disso,
fatores políticos como a derrota da nobreza feudal por Henrique VII e Henrique
VIII – e culturais – o desenvolvimento de uma pequena burguesia com forte
iniciativa econômica associada ao individualismo espiritual da teologia
protestante também foram importantes para a colonização da América inglesa.
Como a Inglaterra oferecia poucos recursos para promover a colonização,
diferentemente do que ocorreu nas demais regiões da América, esta decorreu
fundamentalmente do empenho dessa pequena burguesia. Assim, as colônias
inglesas começaram pobres e sem gerar importantes recursos para a metrópole
inglesa. As primeiras tentativas colonizadoras ocorreram entre 1584 e 1587,
quando foram enviadas três expedições inglesas à América do Norte, sob o
comando de sir Walter Raleigh, que resultaram, porém, em
grande fracasso, por causa da violenta reação dos povos nativos. Somente em
1607 a fundação da colônia de Virgínia, explorada por uma companhia de comércio
que reunia empresários acionistas e detinha o monopólio comercial e da
colonização, iniciou uma era de viabilidade econômica para a ocupação e exploração
da região.
Um dos
estímulos ao fluxo populacional da Inglaterra para a América do Norte,
colaborando para seu povoamento, foi o processo de cercamento das propriedades
agrícolas inglesas, o que gerou grande excedente demográfico. Expulsas do campo
e não encontrando espaço na economia urbana, as vítimas dos cercamentos
acabaram rumando para a América. Ao mesmo tempo, os crescentes conflitos
políticos e religiosos dentro do Estado inglês estimularam a
emigração de protestantes, como os puritanos e os quakers, grupo dissidente dos
calvinistas ingleses fundado no século XVII. Ao enfatizar a soberania de deus e
a dependência do homem, o puritanismo (apenas com um pouco mais de energia do
que o protestantismo em geral) chocava-se de frente com o espírito moderno de
otimismo e individualismo confiante. ainda as sim, ao mesmo tempo, o
puritanismo imprimia um poderoso ímpeto psicológico ao esforço individual. os
puritanos eram “atletas morais”, convencidos de que a vida correta era a melhor
prova (embora não garantia) de que o indivíduo desfrutava a graça de deus. A
vida correta incluía trabalhar tão arduamente e ser tão bem-sucedido quanto possível
em qualquer ofício mundano e negócio em que deus houvesse colocado a pessoa.
animados por essas convicções, não era de admirar que os puritanos fossem
altamente vitoriosos em suas atividades temporais, em especial nas
circunstâncias favoráveis oferecidas pelo ambiente do novo mundo.
Na região da Virgínia, os primeiros núcleos de produção
inicialmente se dedicaram à obtenção do tabaco, produto largamente consumido na
Europa. Mais tarde, também foram produzidos corante índigo (anil), arroz e
algodão. Além da Virgínia, outras colônias se transformaram em grandes centros
de produção agrícola, como Geórgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul,
Maryland e Delaware. Essas colônias situadas ao sul do território inglês da
América do Norte têm sido consideradas genericamente colônias de exploração, assemelhando-se às colônias
portuguesas, no sentido de terem se fundado economicamente no regime de plantation latifúndio monocultor, baseado em trabalho escravo e cuja produção estava
voltada para o mercado externo). A colonização dos territórios mais ao norte (atuais
estados de Nova Jersey, Nova York, Pensilvânia, Connecticut, Massachusetts,
Rhode Island e New Hampshire) teve, entretanto, características bastante
diferentes. Nessa região, concentrava-se boa parte dos colonos que sofriam
perseguição religiosa na Inglaterra. O primeiro grupo desembarcou do navio Mayflower em 1620 e fundou a cidade
de Plymouth, em Massachusetts núcleo inicial da Nova Inglaterra, assim chamada porque
pretendia reproduzir as condições de vida da pátria dos colonos. Mais tarde, a
Nova Inglaterra participou do comércio triangular entre a América, a Europa e a
África: ali os comerciantes fabricavam rum, a partir do melaço obtido nas
Antilhas, para trocar por escravos na África e vendê-los nas colônias de
exploração do sul e nas colônias do Caribe.
Nas décadas seguintes, novas colônias próximas a essas foram
fundadas, caracterizadas pela pequena e média propriedade e pela produção para
subsistência da comunidade de colonos e para o mercado interno, distinguindo-se
daquelas mais ao sul. No início, havia grande pobreza nas colônias do norte,
pois a população mal conseguia produzir o suficiente para se manter. Porém, no
longo prazo, a chegada constante de novos imigrantes e o predomínio do trabalho
livre acabaram por criar um mercado consumidor local, impulsionando a produção
de diversos produtos. É importante observar que não se pode fazer uma classificação
rígida entre colônias de povoamento e colônias de exploração. Assim como na
América ibérica, houve nas diversas colônias da América inglesa iniciativas de
formação de núcleos de povoamento, nos quais a produção estava voltada para o consumo interno, e também atividades
em que se utilizava mão de obra escrava e cuja produção estava voltada para o
mercado externo. A grande diferença entre ingleses e ibéricos em seus domínios
americanos consistiu na forma como as Coroas metropolitanas se impuseram no
processo de colonização. Diferentemente dos espanhóis e portugueses, a Coroa
britânica não exerceu uma fiscalização colonial intensiva no século XVII, em
boa medida por causa de conturbações políticas internas. Sem um forte controle
tributário, os colonos da América inglesa puderam dedicar-se a várias
atividades produtivas e desfrutar de liberdade econômica e religiosa. Mantendo
poucos laços políticos e econômicos com a Inglaterra, as colônias do norte
desenvolveram uma produção manufatureira e um comércio cada vez mais intenso e
diversificado. A construção naval progrediu, tornando possível maior
articulação entre as colônias, obtenção de itens externos e até comércio de
longa distância, que envolvia o Caribe, a África e a Europa (veja o mapa
abaixo). O controle intenso sobre a colônia, tão característico do colonialismo
ibérico, não esteve presente na colonização inglesa da América do Norte. Desde sua
fundação, jamais houve um efetivo projeto normativo inglês de colonização. Ao
mesmo tempo, os intensos conflitos políticos internos na Inglaterra do século
XVII, como a Revolução Puritana de 1641, a posterior guerra civil e a Revolução
Gloriosa de 1688, contribuíram para afrouxar os laços de dominação. Na verdade,
já existia certa autonomia econômica e política, pelo menos entre as colônias
da Nova Inglaterra. Mais tarde, no século XVIII, a monarquia liberal inglesa
assegurou estabilidade política ao país e a Inglaterra emergiu como potência
mundial. Nesse momento, buscou-se uma redefinição do papel das colônias,
sujeitando-as a uma política fiscal inglesa e impondo o fim de suas liberdades
comerciais e políticas. Os conflitos daí gerados culminariam no processo de
independência das Treze Colônias inglesas na América do Norte.
A Pré-história
A Pré-História é como conhecemos o período que acompanha a evolução humana a partir do momento que os hominídeos começaram a usar ferramentas de pedra. Encerrou-se com o surgimento da escrita, que aconteceu entre 3.500 a.C. e 3.000 a.C.
A Pré-História é, basicamente, dividida entre Paleolítico, Mesolítico (período intermediário) e Neolítico. Nesses períodos, acompanhamos o desenvolvimento dos hominídeos com a elaboração de novas ferramentas, além do surgimento do homo sapiens sapiens, há cerca de 300 mil anos.
Divisão da Pré-História
A Pré-História é um período da história humana particularmente grande. A sua nomenclatura e larga duração remetem ao século XIX, quando os primeiros vestígios da vida humana pré-histórica começaram a ser encontrados. Isso porque no século XIX existia a noção de que a História só poderia ser feita por meio de documentos escritos e, assim, todos os acontecimentos anteriores ao surgimento da escrita ficaram conhecidos como “Pré-História”.
A Pré-História abrange, aproximadamente, um período que se estende de 3 milhões de anos atrás a 3.500 a.C. e é dividida da seguinte maneira:
Paleolítico
Crânio do hominídeo homo heidelbergensis, que viveu entre 500 mil e 250 mil anos atrás.*
O período Paleolítico é conhecido também como Idade da Pedra Lascada e esse nome faz referência aos objetos que eram utilizados pelo homem para sua sobrevivência, que eram produzidos exatamente de pedra lascada. Esse período estendeu-se de 3 milhões de anos atrás a 10.000 a.C. e foi subdividido em três fases que são Paleolítico Inferior, Médio e Superior.
Cada um desses períodos possui as suas particularidades e veremos um breve resumo de cada uma delas, começando pelo Paleolítico Inferior. Esse período começa a ser contado exatamente quando os hominídeos começaram a ter a habilidade de produzir as primeiras ferramentas para sua sobrevivência.
Essas ferramentas foram obra do homo habilis e do homo erectus (o primeiro hominídeo a ficar numa posição totalmente ereta). Essa fase estendeu-se de 3 milhões de anos atrás a 250 mil anos atrás.
O Paleolítico Médio compreendeu o período de 250 mil anos atrás a 40.000 a.C. e é caracterizado, principalmente, pela presença do homem de Neandertal. O homo sapiens já existia nessa época, uma vez que seu surgimento aconteceu há 300 mil anos. Os estudos arqueológicos mostram que nesse tempo o estilo de vida do homem tornou-se um pouco mais sofisticado com novas ferramentas sendo elaboradas e com o uso do fogo sendo mais difundido.
Por fim, há também o Paleolítico Superior, que foi de 50.000 a.C. a 10.000 a.C. Nesse período, as ferramentas utilizadas pelo homem passaram a ser elaboradas em grande diversidade. Eram produzidos pequenos anzóis, machados, agulhas e até mesmo a arte começou a ser concebida pelo homem. No caso da arte, o destaque vai para a pintura rupestre, realizada nas paredes das cavernas.
Pintura rupestre realizada na parede de uma caverna localizada na Tailândia.
Abrangendo os três períodos, resumidamente, o Paleolítico é um período em que o homem sobrevivia da coleta e da caça, sendo fundamental, no caso da caça, a elaboração de ferramentas para auxiliá-lo na obtenção do alimento. Por depender da caça e coleta, o homem era nômade e mudava de lugar quando os recursos do local que estava instalado ficava escasso.
Como a temperatura geral da Terra era mais amena, sobretudo nos períodos de glaciação, o homem vivia nas cavernas para proteger-se do frio. As ferramentas utilizadas poderiam ser feitas de ossos, pedras e marfim. No fim do Paleolítico, o ser humano começou a experimentar as primeiras experiências religiosas, e o desenvolvimento do estilo de vida dos homens fez com que eles desenvolvessem rituais funerários, por exemplo.
Mesolítico
O Mesolítico é uma fase intermediária entre o Paleolítico e o Neolítico que aconteceu em determinadas partes do mundo. Os especialistas em Pré-História destacam que o Mesolítico aconteceu, sobretudo, em locais onde houve glaciações intensas. Aconteceu na Europa e em partes da Ásia e estendeu-se, aproximadamente, entre 13.000 a.C. e 9.000 a.C.
Esse período marcou a decadência dos agrupamentos humanos que viviam exclusivamente da caça em detrimento daqueles que eram caçadores e coletores. Ficou marcado também pelo desenvolvimento da olaria (produção de cerâmica) e da técnica para produção de tecidos. Considera-se o fim desse período o momento em que a agricultura foi desenvolvida.
Neolítico
O Neolítico é a última fase do período pré-histórico e estendeu-se de 10.000 a.C. até 3.000 a.C. Essas datas (que são aproximativas) assinalam dois marcos importantes para a história do desenvolvimento humano. Primeiro, houve o surgimento da agricultura, um importante marco para a sobrevivência do homem e, por fim, houve o desenvolvimento da escrita.
Com o desenvolvimento da agricultura, o homem conseguiu mudar radicalmente o seu estilo de vida, uma vez que a agricultura permitia o homem fixar-se em um só local (sedentarização do homem), sobrevivendo de tudo o que ele produzia. O domínio da agricultura também levou o homem a desmatar a floresta e desenvolver campos de plantio.
Junto do desenvolvimento da agricultura veio também a domesticação dos animais, que auxiliava o homem no transporte de carga, na agricultura, como animal de tração, servia de alimento e até mesmo como meio de transporte. Todas essas novidades, que possibilitaram a sedentarização humana, resultaram na formação de enormes agrupamentos humanos que, com o tempo e conforme cresciam, tornaram-se as primeiras cidades do mundo.
O Neolítico também ficou marcado pelo desenvolvimento da arquitetura, o que permitia o homem construir casas de pedra e construções megalíticas. Essas últimas, até hoje, não tiveram sua finalidade muito bem esclarecidas pela arqueologia. A olaria surgiu em muitos lugares e foi aprimorada em outros.
Ao passo que os agrupamentos humanos cresciam, as sociedades que se formavam tornavam-se mais complexas e mais desiguais, uma vez que as pessoas que estavam diretamente envolvidas com o gerenciamento dos recursos tornavam-se mais importantes e mais influentes.
O fim do período Neolítico ficou marcado pelo desenvolvimento da metalurgia, isto é, a capacidade de produzir ferramentas a partir da fundição de metal e pelo desenvolvimento da primeira forma de escrita da humanidade, a escrita cuneiforme.
Divisão do trabalho na Pré-História
A divisão do trabalho na Pré-História foi acontecendo conforme o estilo de vida dos agrupamentos humanos foi ficando mais sofisticado. Sendo assim, os homens foram sendo responsáveis pela caça de animais, enquanto que as mulheres foram tornando-se responsáveis pela coleta de alimentos para alimentarem-se e alimentarem seus filhos. À medida que a agricultura foi desenvolvida, essa atividade também passou a ser responsabilidade, em geral, das mulheres.
A professora e socióloga alemã Maria Mies sugere que a sobrevivência dos agrupamentos humanos, durante parte da Pré-História, foi possível, sobretudo, a partir do papel desempenhado pelas mulheres, uma vez que grande parte do alimento consumido era oriundo da coleta e da agricultura, e uma parte diminuta era resultado da caça, função masculina|1|.
Arte na Pré-História
Vênus de Willendorf, uma das obras de arte mais conhecidas da Pré-História.
A arte na Pré-História assumiu características distintas. Os especialistas não sabem ao certo os motivos pelos quais os seres humanos produziam tais objetos artísticos, mas especulam que podem ser um registro artístico apenas como um registro do cotidiano. no sentido da “arte pela arte”. Outros sugerem que poderiam ter uma função ritualística, com o objetivo de integrar o homem com a natureza.
Do período Paleolítico, destacam-se, principalmente, as pinturas rupestres, que eram feitas nas paredes das cavernas que são encontradas em diversos locais do mundo, inclusive no Brasil. As pinturas rupestres representavam o homem em meio a grandes grupos de animais, simbolizando as caçadas, e representavam também outras cenas do cotidiano humano.
No Paleolítico, também eram feitas pequenas esculturas das quais destacam-se as estatuetas de Vênus, datadas do período entre 40.000 a.C. e 10.000 a.C. Essas estatuetas foram encontradas em diferentes partes do mundo e representavam um corpo feminino nu com formas voluptuosas, podendo estar associadas ao culto da Deusa-mãe.
No Neolítico, destacam-se as construções megalíticas, construções realizadas com grandes rochas. Os especialistas ainda não sabem o real objetivo dessas construções, mas especulam-se que poderiam funcionar como marcadores de tempo ou poderiam ter relação com a observação dos astros. A construção megalítica mais famosa é Stonehenge, localizada na Inglaterra.
A Alimentação na Pré-historia
Diversas espécies do gênero homo desenvolveram-se ao longo de milhões de anos até a chegada à espécie dos homo sapiens, da qual os cientistas afirmam que nós, humanos contemporâneos, fazemos parte.
Muitos desses cientistas afirmam que a adoção de uma dieta também baseada em proteína animal teria contribuído para a evolução dos seres humanos e que essa adoção teria se dado ao longo de muito tempo, resultando na criação de diversas habilidades para conseguir esse tipo de alimento.
Durante o chamado período Paleolítico, uma divisão temporal que se estendeu por cerca de dois milhões de anos, até mais ou menos 10 mil anos atrás, os humanos ainda viviam da coleta de frutas, raízes e outras espécies vegetais, mas começaram a desenvolver o hábito de se alimentar de proteína animal, decorrente da caça, da pesca e da coleta de mariscos, mas também do aproveitamento de carcaças de animais deixadas por outros carnívoros.
Para o paleoantropólogo Henry Bunn, da Universidade de Wisconsin-Madison, a habilidade de obtenção da carne e a forma de dilacerar a carcaça dos animais sofreram alteração durante o paleolítico. Ele dividiu em três etapas o processo.
Primeiramente, os chamados hominídeos retalhavam a carne dos ossos das carcaças de animais, usando alguns instrumentos feitos de pedra ou de lascas de pedras. Esse primeiro período teria ocorrido entre 2,6 e 2,5 milhões de anos atrás, indicando ainda uma capacidade pequena dos hominídeos de obter alimentos com proteína animal.
Um segundo momento seria caracterizado por um procedimento mais comum de manuseio da carne a ser ingerida, além de passarem a desenvolver a habilidade de quebrar os ossos para também se alimentar do tutano de seu interior e carregarem as carcaças de animais para lugares distintos de onde haviam sido encontrados ou abatidos. Nesse estágio, entre 2,3 e 1,9 milhão de anos, os hominídeos ainda se apropriavam de carcaças de presas de outros carnívoros, mas também já conseguiam obter presas próprias.
O terceiro estágio nessa evolução “carnívora” dos hominídeos do Paleolítico caracterizar-se-ia pelo retalho extensivo dos restos dos animais, obtendo carcaças intactas, decorrentes de novas habilidades de apropriação de presas de outros carnívoros ou mesmo decorrentes da prática da caça, que se tornava rotineira. A datação dessa última fase é estimada entre 1,8 e 1,6 milhão de anos e demonstra que, além de caçar, os hominídeos do período atuavam na obtenção de partes de caça de outros mamíferos carnívoros.
Para outro especialista, o paleontólogo Lars Werdelin, esse desenvolvimento da habilidade de obtenção de carne pelos hominídeos teria causado uma diminuição no número de espécies carnívoras no leste da África, tendo possivelmente sido eliminadas muitas espécies de animais de grande porte. A entrada dos hominídeos na cadeia alimentar carnívora, somada a alterações climáticas, teria, dessa forma, mudado de forma drástica o ecossistema dessa região africana.
Pintura rupestre em que é possível identificar uma cena de caça na Pré-história
Pintura rupestre em que é possível identificar uma cena de caça na Pré-história
Coprólito, pedaço de fezes fossilizado (humano ou não-humano) que serve para o estudo do período pré-histórico.
O estudo da Pré-História é um ofício realizado, principalmente, por arqueólogos, paleontólogos e geólogos.
O estudo da vida dos seres humanos pré-históricos (e também dos animais desse período) inclui a análise de coprólitos, isto é, fezes fossilizadas.
No Brasil, o principal sítio arqueológico localiza-se na Serra da Capivara, que fica no estado do Piauí.
A estatueta de Vênus mais famosa é a Vênus de Willendorf, localizada na Áustria e que tem cerca de 25 mil anos.
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