sexta-feira, 21 de setembro de 2018
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Resenha: Menino 23 (documentário)
O documentário relata uma história “encontrada ao acaso” em uma sala de aula, onde uma aluna reconhece a suástica (adotada como um símbolo nazista) e diz que há tijolos na fazenda de sua família com aquele mesmo símbolo. A partir dai o historiador Sidney interessou-se e começou a pesquisar a fundo a história da fazenda Cruzeiro do Sul.
Em decorrência dos estudos do historiador foi descoberto que a fazenda pertencia a um dos integrantes da família Rocha Miranda, família essa importantíssima para AIB (ação integralista brasileira) que era um movimento político fascista. Os quatro citados no documentário são Octavio, Osvaldo, Sérgio e Renato Rocha Miranda, que eram netos do Barão do Bananal, um importante agropecuarista e político. Sérgio era o proprietário da fazenda Cruzeiro do Sul, ondem era confeccionados os tijolos com a suástica e nessa mesma fazenda os gados eram marcados com o mesmo símbolo.
Ao passo que os estudos eram aprofundados Sidney foi entendendo os movimentos / ações daquela família. Naquela região fora realizado supostamente um projeto educacional de inspiração eugênica. A eugenia aparece nessa época (Década 1920/ 30) como uma proposta cientifica, politica e cultural aceita; era uma pseudo ciência na qual estudava as condições mais propícias para a evolução da espécie. As teorias eugenistas eram inerentes à sociedade, e chegaram a fazer parte do texto da constituição brasileira de 1934, na qual definia como responsabilidade do Estado fomentar a educação eugênica, acreditava-se serem conhecimentos úteis e indispensáveis para a reprodução, conservação e melhoria da raça.
Como pilares do projeto, apresentavam a intenção de tirar da capital (até então o Rio de Janeiro) crianças negras, órfãs, pobres, na faixa etária dos dez anos para levá-los para trabalhar/estudar nas lavouras em outros estados. Medida completamente aceita pelo governo Vargas.
Osvaldo Rocha Miranda era o dono da fazenda Santa Albertina, destino de cinquenta meninos negros e órfãos vindos do Rio de Janeiro, mais especificamente do orfanato Educandário Romão de Mattos Duarte. Os meninos foram escolhidos pelo próprio Osvaldo numa visita ao orfanato, ele escolheu os negros mais fortes daquela faixa etária desejada.
O documentário traz como protagonista o Sr. Aloysio Silva, um dos meninos levados para a fazenda Santa Albertina. Ele era o menino 23, denominação dada pela altura dos meninos. Aloysio reporta as memórias daquele tempo com grande insatisfação e pesar, ele lembra bem de como tudo aconteceu e, para a sorte dos pesquisadores e para o historiador, Aloysio lembrava-se do nome de alguns dos companheiros, em especial do Sr. Agemiro que foi um grande companheiro durante aqueles anos. O contraste nas reações do Sr. Aloysio e do Sr. Agemiro quando remetem-se a infância vivida naquela fazenda exemplifica o abismo entre a felicidade e o riso que os foi capturado e a dor e a revolta que sentem até hoje.
Em 1941 Getúlio Vargas se alia ao Estados Unidos na 2° Guerra Mundial, por vários acordos comerciais e incentivos financeiros ( a CSN é um dos exemplos). Com a aliança com o EUA o Brasil entra na guerra para o combate ao nazismo mas tinha um movimento similiar em seu território, a AIB.
Essa decisão afetou diretamente os meninos da fazenda, com a declaração de guerra ao Eixo todas as referencias nazifascistas em especial a AIB começaram a ganhar uma roupagem de crime. Rapidamente tentaram apagar todas as memórias matérias. Tendo em vista que estavam ocorrendo inúmeras prisões no Brasil por conta desse envolvimento ideológico, apoiado ate instantes antes.
O Brasil durante a Era Vargas, antes da aliança com os EUA teve pilares nazifascistas, como acordos econômicos com a Alemanha e o 2° maior partido nazista fora da Alemanha.
O período demarcado pelo documentário (Déc. 1920/1930) é o período mais racista da nossa história. Há mais de 40 anos após a abolição da escravatura no país. Abolição essa que não ofereceu aos negros nenhuma política de reinserção social a essa população, atenuando então os “efeitos colaterais” da escravatura. Assim como aconteceu quando os meninos foram “libertos” da fazenda.
A subjugação do negro é um desses “efeitos” e está impregnada em todos os segmentos da sociedade, e em conjunto com a ideia retrógrada de supremacia racial culmina numa marginalização de uma determinada população, caracterizando-os supostamente á estarem disponíveis a qualquer tipo de exploração.
Créditos:
Aluna Myrian Lima
3° Ano - Centro Educacional Moderno
Link para o filme/documentário:
https://drive.google.com/file/d/1uR55l49__3yliUaSRqoRA2tgdWBT1i7G/view?usp=drivesdk
Link para o filme/documentário:
https://drive.google.com/file/d/1uR55l49__3yliUaSRqoRA2tgdWBT1i7G/view?usp=drivesdk
terça-feira, 1 de maio de 2018
quarta-feira, 25 de abril de 2018
A Revolução dos Cravos
A Revolução Dos Cravos foi o movimento que derrubou o regime salazarista em Portugal, e ocorreu no ano de 1974, de forma a estabelecer liberdades democráticas, com o intuito de promover transformações sociais no país.
Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura no país. Em 1932, Antônio de Oliveira Salazar tornou-se o primeiro-ministro das finanças e ditador. Salazar instaurou então um regime inspirado no fascismo italiano, cujas liberdades de reunião, de organização e de expressão foram suprimidas com a Constituição de 1933. O movimento representou aos portugueses: democratização, descolonização e desenvolvimento. A revolta militar foi uma consequência dos 13 anos de guerra colonial, na qual os portugueses enfrentaram os movimentos de libertação nas suas colônias: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.
No ano de 1968 o ditador sofreu um derrame cerebral, que resultou em sua substituição por seu ex-ministro Marcelo Caetano, que deu continuidade à sua política. No entanto, a decadência econômica que o país sofreu, em conjunto com o desgaste com a guerra colonial, provocou descontentamento na população e nas forças armadas, o que resultou na aparição de um movimento contra a ditadura.
No dia 25 de abril de 1974, explodiu a revolução. A senha para o início do movimento foi dada à meia-noite através de uma emissora de rádio, a senha era uma música proibida pela censura, “Grândula Vila Morena”, de Zeca Afonso. Os militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto. Ele acabou fugindo para o Brasil. A presidência de Portugal foi assumida pelo general António de Spínola. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura de 48 anos, e distribuiu cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento, dando origem ao nome “Revolução dos Cravos”.
Como resultado, os partidos políticos, inclusive o Comunista, foram legalizados a Pide, polícia política do salazarismo, foi extinta. O novo regime colocou Portugal em agitação revolucionária. No entanto, Spínola fracassou em sua tentativa de controlar a força política e militar da esquerda e renunciou em setembro de 1974. O governo passou então a ser dominado pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), fortemente influenciado pelo Partido Comunista. Nesse meio tempo, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau obtiveram independência.
Em março do ano seguinte, 1975, depois de uma tentativa de golpe fracassada de Spínola, o governo passou a ser dominado pelos generais Costa Gomes, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves. Deu-se início a uma política de estatização de indústrias e bancos, seguida por ocupações de terras. O Partido Socialista, de Mário Soares, venceu as eleições para a Assembleia Constituinte no mês de abril, e em novembro do mesmo ano, o fracasso de uma tentativa de golpe de oficiais de extrema esquerda colocou fim ao período revolucionário.
Apesar disso, a Constituição portuguesa de 1976, ainda influenciada pelo MFA, proclama a irreversibilidade das nacionalizações e da reforma agrária.
sábado, 31 de março de 2018
Forte de São Sebastião - Ceará
No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), a expedição de Pedro Coelho de Sousa que fundara o Fortim de São Tiago da Nova Lisboa (1604, confirmara a presença francesa na região, o que conduziu a novas providências do governo no reino. Em 1611 foram criadas a capitania do Jaguaribe (ou do Ceará), a capitania do porto de Camocim e a capitania do Maranhão, território então ocupado pelos franceses. Nesse contexto, o então governador da Repartição do Brasil, D. Diogo de Meneses (1608-1613), incumbiu o Capitão-mor Martim Soares Moreno de, na costa da capitania do Ceará, fundar uma feitoria, guarnecer pontos estratégicos, fomentar o progresso econômico e a catequese dos gentios.
Ao alcançar o rio Ceará, foi informado da presença de um navio francês fundeado na foz, o qual atacou com as suas forças, logrando dominar a tripulação, que aprisionou, e assenhoreando-se da embarcação e de duas lanchas. O governador, informado, determinou que um pequeno efetivo de soldados (seis) e um sacerdote se deslocassem para o local onde, com o auxílio do chefe indígena Jacaúna, foi erguido, no mesmo lugar do antigo Fortim de São Tiago, uma nova povoação, e uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora do Amparo (20 de janeiro de 1612).
Para a sua defesa, foi iniciado um fortim em faxina e terra, sob a invocação do Santo do dia, São Sebastião. Ficou conhecido como Forte de Nossa Senhora do Amparo. Sua planta apresentava o formato de um polígono quadrangular regular e, em vértices diametralmente opostos, dois baluartes também quadrangulares. No seu interior abrigava alojamento "capaz de 200 homens, soldados e moradores". Foi guarnecido por um Capitão, um Sargento e dezesseis homens, e artilhado com duas peças de ferro.
Apesar da precariedade de recursos materiais, esta fortificação repeliu os piratas franceses de Du Prat (sob a liderança do Padre Baltazar Correia, 1614).
Em 1616, quando em viagem marítima da costa do Maranhão para o Ceará, a embarcação em que Moreno viajava foi colhida por uma violenta tempestade, desviando-se da rota, indo aportar na ilha de São Domingos, nas Antilhas. De lá, a caminho da Europa, a embarcação foi atacada por corsários, sendo aprisionado e levado para a França, onde permaneceu por dez meses. Condenado à morte, obteve a liberdade graças a gestões diplomáticas da corte espanhola.
De volta a Portugal, em 1619 foi nomeado como primeiro capitão-mor do Ceará, como recompensa pelos serviços prestados. Neste período, a estrutura foi reconstruída (1619-1621) com pedras soltas ("pedra ensossa"), e suas muralhas elevadas para dez pés (c. 3,30 metros) de altura. Moreno tomou posse em 1621, tendo, pelo espaço de dez anos, consolidado e feito florescer a sua capitania. Nesse período, apaziguou dissenções entre a população, estimulou a agricultura e a pecuária. Repeliu naus neerlandesas em 1624, e, danificada, novamente em 1625.
Durante a segunda das Invasões holandesas do Brasil (1630-1654), em 1631 Moreno partiu para Pernambuco, onde se destacou nas lutas contra os neerlandeses, alcançando o título de mestre-de-campo, não tendo retornado ao Ceará. Naquele mesmo ano (1631), Domingos da Veiga, sobrinho de Martim Soares Moreno, tomou posse como novo capitão-mor da capitania do Ceará.
Neste período Bento Maciel Parente relatou à Coroa Ibérica que esta fortificação era em faxina e terra, estando artilhada com duas peças, e sugeriu o seu abandono, com o que esta concordou. Posteriormente, foi assaltada por uma força de quatrocentos soldados e duzentos indígenas, sob o comando do Major Joris Garstman e do Capitão Huss. Defendido por vinte e três homens sob o comando de Bartolomeu de Brito, artilhada com cinco peças de ferro (quatro de 4 e uma de 2 libras de bala), foi tomado de assalto a 25 de outubro de 1637.
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